21.3.16

Seja livre

Vivemos em constante mudança. Involuntárias ou obrigatórias, as mudanças fazem parte do que somos. Gostamos e desgostamos de incontáveis coisas ao longo de nossa vida e nossas escolhas refletem nossas mudanças. Mudar não é ruim. Pelo contrário: as mudanças podem ser maravilhosas. E boas ou ruins, elas não passam sem deixar lembranças ou aprendizados para a vida.

Eu acho incrível o quanto mudei nos últimos anos. E se você parar pra pensar, vai perceber que também mudou muito. Há três anos, comprei um modelo de tênis que eu amava e tentava usar com todas as composições de roupas. Aquilo era um presente e uma mudança na minha vida. Hoje, quando coloco esse mesmo tênis que outrora me representava, já não faz mais parte de mim. Não combina com minhas roupas, meus pensamentos, quem sabe até meu estilo de vida atual. Hoje, o tênis que amo pode ser esse mesmo tênis que agora não me representa mais no futuro. As roupas, o corte e a cor do cabelo, as músicas, os livros, os lugares, as escolhas, as pessoas: tudo representa nossa mudança. E nossa mudança física nada mais é do que um reflexo da mudança que acontece dentro da gente.

Desde que entrei no curso de Jornalismo coleciono mudanças que nunca nem imaginei passar. Todas as atitudes e escolhas que tive nos últimos dois anos me tornaram a pessoa que sou hoje. Eu me olhava no espelho e parecia nem enxergar mais a Milena que antes eu era, e nesse momento percebi que o medo de mudar nos faz perder coisas e momentos incríveis. Foi por esse motivo que decidi mudar radicalmente a cor e o corte do meu cabelo. Eu precisava mostrar pra mim mesma - e pra todo mundo - que não era mais aquela pessoa preconceituosa com o estilo musical dos outros e com as atitudes de pessoas que eu nem conhecia. Eu precisava representar minha independência e cumplicidade com a vida e o mundo. Não porque antes eu era uma pessoa horrível, pelo contrário. Essas mudanças fizeram a Milena de agora enxergar além e respeitar (muito mais) os outros. 


A Milena de cabelo comprido e castanho certamente se orgulha muita da que tem o cabelo ruivo e curto. Ela ainda tem os mesmos amigos e gosta dos mesmos filmes, mas ela também gosta de bandas novas e outros lugares. Ela experimentou roupas que um dia achou que nunca usaria, e hoje gosta. Ela ainda bebe café em qualquer momento do dia, gosta de ler dentro do ônibus e faz apostas consigo mesma. Ainda fala sozinha, canta no chuveiro e escuta aquelas músicas que há anos sabe o refrão. Talvez a Milena de agora seja ainda mais feliz que a antiga


Mudanças são necessárias. Elas nos mudam, nos acrescentam, mudam nossa visão de mundo e das pessoas. Despertam novos sonhos e colecionam nostalgias. Se prender só porque é confortável já é coisa do século passado: a moda agora é ser livre.

Livre das pessoas chatas, do que faz mal, do que seu eu não se identifica. Livre do livro que não gosta mais, da música que prefere não escutar e dos lugares que não gosta mais de ir. Livre das angústias, dos medos e da insegurança. Você é livre pra fazer o que quiser com o seu cabelo e o seu corpo. Você é livre pra mudar e usar o que você quiser. Todo mundo muda e precisa mudar. Ser o mesmo a todo instante é bem chato e escolher e gostar de novas coisas não é hipocrisia. Então mude. Mas mude por você.

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